



Flávio Loureiro Chaves observa que en el sur de Brasil la propuesta de la gauchesca “formou-se e evoluiu sob o signo da tradição romântica e dessa intenção programática de documentar o espaço circundante através dos cenários típicos, da recuperação do acervo folclórico e lendário, da inclusão dos falares regionais na matéria de ficção” [5]. De hecho, uno de los principales objetivos de los “regionalistas” en Rio Grande do Sul fue reproducir en el ámbito literario el lenguaje coloquial como consecuencia de una vida activa, sin embargo con carencia de escuelas, poca influencia de la Iglesia y un sentimiento de alejamiento frente al resto de Brasil, conforme observa Guilhermino Cesar [6]. Hay que recordarse que Rio Grande do Sul era una provincia española conquistada por los portugueses por medio de guerras. Luego, los lusos promovieran la llegada de inmigrantes europeos, sobretodo alemanes e italianos, siguiendo la lógica de colonizar el territorio para no perderlo. Toda esta mezcla cultural hizo con que la región sufriera una especie de crisis de identidad, desde luego mirando con cierto extrañamiento las demás provincias brasileñas y todo lo de afuera.
Aunque sean muchos los antecesores de João Simões Lopes Neto, la crítica le considera el pionero del regionalismo de Rio Grande do Sul y su obra sirve de referencia por ser el documento más sincero producido por la gauchesca, alcanzando la capacidad de, trabajando con elementos locales, llegar al universal, según las palabras de Flavio Loureiro Chaves [7]. La técnica narrativa que el autor construye para conferir a sus textos una tonalidad de espontaneidad y abrir puertas al lenguaje coloquial es, muchas veces, la técnica del caso. Ello está explícito en la obra Casos do Romualdo y se presupone en Contos gauchescos cuando se hace la presentación del narrador Blau Nunes, a quien se pasa la palabra, pidiendo: “Patrício, escuta-o”. Es por ello que Maria Eunice Moreira considera que no es mera casualidad el hecho de que solamente con João Simões Lopes Neto se haya consolidado, en definitivo, la literatura de colores regionales en Rio Grande do Sul [8].
Cuando surgen los Contos gauchescos en 1912, la literatura brasileña atravesaba un periodo de “surto regionalista”, que puede haber influenciado la constitución del proyecto simoniano. Ello porque, ya lo dijera Elizabeth Rizzato Lara, “a obra literária representa uma opção por parte do autor. Essa opção, no entanto, não é totalmente livre. Há circunstâncias externas, como o aspecto histórico, o social e o político, que restringem a sua escolha” [9]. De hecho, el romanticismo acentúa, en Brasil, la conciencia de su condición de cultura trasplantada y confiere atención a la cuestión de la autonomía literaria, íntimamente vinculada a la autonomía política. Y la línea programática de las letras de Rio Grande do Sul sigue la mentalidad romanticista al estilo de José de Alencar, de acuerdo con José Clemente Pozenato [10]:
Nasce assim o regionalismo gaúcho, como projeto integrado no projeto romântico brasileiro. Não era um programa de autonomia regional: a acentuação das particularidades regionais era feita, não no sentido de romper com o conjunto brasileiro, mas no de integrá-las como parte do processo político e literário em curso no Brasil. Não apenas do ponto de vista temático, mas também no da linguagem, a lição de Alencar foi assimilada.
Pero se pregunta: si el regionalismo de Rio Grande do Sul siguió un proyecto de ámbito nacional y estuvo vinculado a una tendencia generalizada de la literatura brasileña del periodo, como dice Pozenato, ¿por qué es tan fuerte en Contos gauchescos el influjo platino referido por la profesora Léa Masina? Flávio Aguiar presenta su respuesta [11]:
Quando os românticos da região quiseram criar o romance local, seus modelos iniciais foram Macedo, Alencar, e outros escritores sediados na Corte, e não escritores do Prata. Mas tematicamente, e em termos de paisagem cultural, as marcas de região eram mais próximas das platinas do que da Baía da Guanabara. Isto fez que o Rio Grande do Sul, seguindo a terminologia proposta pelo crítico uruguaio Ángel Rama, integrasse o sistema brasileiro, mas fizesse parte (até hoje) de uma "comarca pampeana", que se desdobra em duas línguas (espanhol e português) e três países, Uruguai, Argentina e o sul do Brasil. Essa proximidade ao Prata foi deixando marcas indeléveis na cultura gaúcha. Já na época da República, um escritor como Simões Lopes Neto, autor de Contos Gauchescos, de Lendas do Sul e também do hilariante Causos do Romualdo, revela traços mais nítidos de contato com um escritor argentino como José Hernández, autor do poema Martín Fierro, que consolida a literatura argentina.
Efectivamente, la profesora Léa Masina es un importante testigo de la influencia de José Hernández no solamente en la obra de Simões Lopes Neto, sino también sobre todo un abanico de escritores rio-grandenses tales como Alcides Maya, Aureliano Figueiredo Pinto, Aparício Silva Rillo, Darcy Azambuja y Luis Carlos Barbosa Lessa, además de Cyro Martins, ya mencionado. Ella observa que la trayectoria y los consejos de Martín Fierro hacen parte del imaginario del pueblo de Rio Grande do Sul [12]:
O influxo platino, visto com maus olhos pela crítica modernista, confere peculiaridade aos textos da literatura brasileira fronteiriça, eis que esta transfigura o fato histórico no literário, confundindo essas duas instâncias e possibilitando uma visão múltipla das culturas latino-americanas meridionais em diálogo. […] Com isso, quero dizer que o Martín Fierro, no Brasil, propagou-se pela repetição, atravessando a fronteira meridional do país e ocupando um espaço real e imaginário que confundia, na reza e na crendice, a experiência vivida, a superstição religiosa e a imaginação. Essa carga mítica, comum aos textos fundadores, explica a capacidade de migração dos mitos de um sistema literário para outro, em momentos decisivos da formação das identidades culturais.
José Clemente Pozenato, por otro lado, rebate vehementemente la hipótesis de interpenetración entre los sistemas literarios rio-grandense y platino [13]:
A existência de elementos comuns às duas [literaturas] não implica em afirmar que como sistema e como processo elas se interpenetrem. Ao contrário, é como processo e como sistema que elas diferem. O processo de formação da literatura platina seguiu coordenadas e um ritmo diversos dos do processo rio-grandense. […] Na faixa específica da cor local, que tem o “criollismo” e a gauchesca como manifestações literárias, se coincidem os motivos, e talvez certos modismos de linguagem, difere a intenção significativa. A gauchesca não é pura manifestação do viver “criollo”, e sim se insere no esforço brasileiro de busca e construção de uma literatura autônoma.
Flávio Loureiro Chaves, de igual modo, observa ese esfuerzo de la literatura gauchesca hacia el encuadramiento en el proyecto nacional de construcción de una literatura autónoma, y, quizás por ello, explica el autor, la verosimilitud haya sido empurrada hacia un plan secundario, generando un exceso de idealización a enmascarar aquella misma realidad que era su punto de partida programático [14].
El lector más atento de las obras que aquí se discuten podrá percibir que la principal diferencia entre ellas está en la mirada hacia la condición social y política de la pampa: mientras Martín Fierro asume una postura crítica y de denuncia social en contra de la explotación y la marginación del gaucho, los cuentos de Simões Lopes Neto se fundamentan en el “mito da democracia rural” y en la ficticia comunión de valores entre los terratenientes y los trabajadores rurales, como lo define Regina Zilberman [15]:
Entre estes dois setores da vida social não há antagonismo, e sim solidariedade, não porque compartilhem as posses materiais -a estância, o gado-, mas porque todos devem demonstrar as mesmas virtudes humanas. No texto regionalista, há a divisão social, não, porém, desigualdade ou conflito.
Pero Blau Nunes percibe las diferencias sociales y la decadencia de la moral y de las buenas costumbres en el Rio Grande do Sul de antaño. João Claudio Arendt [16] incluso hace recordar que el personaje menciona las gentes metidas con políticas sucias (como los Silva, del cuento “O boi velho”), la violencia gratuita y desmesurada (como en “O negro Bonifácio” y en “O jogo do osso”) y el cercenamiento de la libertad (en el cuento “Correr eguada”, caso mencionado por Blau en un tiempo en que los campos ya tenían dueño y por donde el tránsito ya no era libre). Sin embargo, aunque dicho personaje indique conocer el antifaz perverso de la pampa, sigue enalteciendo la cultura y la historia de Rio Grande do Sul, recuperando un pasado glorioso y la idea de que éste es el mejor sitio para uno vivir. Regina Zilberman, sobre el tema, relata [17]:
Por esta razão, o gaúcho é inserido numa ordem social que defende, ao incorporar suas idéias e lutar por elas até a morte. Ao mesmo tempo, contudo, integra-se a uma ordem natural, já que revela afinidades com o espaço - o pampa, a Campanha - e que são os animais, sobretudo o cavalo, seus maiores companheiros. A fraternidade entre os homens de classes diferentes e a continuidade entre o indivíduo e o ambiente asseguram a índole globalizante do mundo regional. Este é auto-suficiente, pois abrange tudo o que é necessário à sobrevivência e felicidade do ser humano. Assim, não apenas se apresenta como um cosmos acabado, como também expele tudo que lhe é estranho. O vilão por excelência é o homem que vem de outro espaço - o habitante da cidade ou da Corte, o imigrante ou o castelhano.
En fin, se puede afirmar, en consonancia con el pensamiento de João Claudio Arendt [18], que Blau Nunes es el prototipo perfecto y acabado del héroe del Romanticismo, un gaucho tradicional idealizado, con las mejores virtudes que alguien podrá desear y que cuenta sus casos construyendo un proyecto literario inserido en un ideal brasileño de autonomía, mientras dialoga con la literatura platina y con las tradiciones rio-grandenses muy hermanadas a las de sus vecinos castellanos y a la herencia española.
Los contornos ideológicos que se deducen de la visión de la pampa que trasparecen cada una de las obras a que se refiere este estudio desde la óptica de sus protagonistas es lo que se explana adelante.
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